Da Redação, de Brasília (com apoio da CCEE) —
O avanço do mercado livre de energia, a reestruturação da governança corporativa, a evolução das soluções de certificação renovável e o lançamento da CCEE Academy foram alguns dos principais marcos da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) apresentados em seu Relatório de Sustentabilidade 2025.
O documento, estruturado com referência nas diretrizes internacionais da Global Reporting Initiative (GRI), demonstra a capacidade tecnológica e a solidez institucional da organização frente à maior transformação regulatória do setor nas últimas décadas.
O material detalha como o gerenciamento do mercado ao longo de 2025 foi suportado por uma agenda estratégica focada em modernização digital, atração de novos negócios voltados à descarbonização e no cumprimento de metas corporativas de diversidade. Essa preparação sistêmica consolidou e deu sustentação ao fluxo iniciado no período anterior.
Sob a gestão direta da Câmara, o volume financeiro total liquidado no ano ultrapassou R$ 25 bilhões, com uma média mensal de 117 mil contratos registrados para uma base de associados composta por 16.120 agentes e mais de 87 mil ativos cadastrados.
O relatório também destaca as ações coordenadas que resultaram na resolução definitiva de disputas judiciais que se arrastavam por cerca de uma década, ligadas ao risco hidrológico (GSF). A operacionalização do mecanismo concorrencial pela CCEE viabilizou a injeção de R$ 1,34 bilhão no setor, restabelecendo o fluxo financeiro do Mercado de Curto Prazo (MCP).
Infraestrutura
Para alcançar os objetivos de sustentabilidade e preparar a infraestrutura crítica do país para as próximas fases de abertura do mercado livre de energia, a CCEE direcionou R$ 60 milhões em investimentos para a modernização de sua estrutura digital e data center. A iniciativa viabilizou a automação do fluxo de troca de informações no setor, via ferramentas de API (Interface de Programação de Aplicações).
Em paralelo, a instituição expandiu sua atuação em frentes diretamente ligadas à descarbonização:
- Plataforma CCEE Origem: Consolidação do ecossistema nacional de rastreabilidade de energia limpa, cujos certificados comprovaram a origem renovável de fontes eólica, solar, biomassa e hídrica, respondendo por mais de 90% das emissões desse tipo de ativo no país.
- Vetores do futuro: Estruturação de comitês técnicos para o desenvolvimento de modelos de certificação voltados ao hidrogênio de baixo carbono e ao biometano.
- Capacitação setorial: O fortalecimento da CCEE Academy expandiu os programas de formação técnica para novos entrantes, elevando o faturamento com treinamentos de R$ 40 mil em 2023 para R$ 685 mil em 2025, reduzindo assimetrias de informação no mercado.
O Relatório de Sustentabilidade detalha ainda o amadurecimento da governança corporativa da CCEE, marcado pela aprovação de seu novo Estatuto Social em conformidade com as diretrizes regulatórias da Aneel. A nova estrutura promoveu a segregação de funções entre o Conselho de Administração e a Diretoria, além de instituir uma Diretoria de Segurança do Mercado com blindagem de dados e orçamento próprio.
No aspecto social e de gestão de pessoas, a organização alcançou avanços significativos alinhados às metas internas estabelecidas para o horizonte de 2030:
- O quadro funcional encerrou o período com 512 colaboradores diretos (+10,8%), mantendo um índice de favorabilidade interna de 90% e taxa de rotatividade sob controle, em 4,1%.
- A presença feminina alcançou 46,7% do quadro total, enquanto o percentual de mulheres em cargos de liderança avançou de 34% para 37% em doze meses.
- O censo demográfico interno apontou que 24% do quadro se autodeclara preto ou pardo e 4% é composto por Profissionais com Deficiência (PCD).