Da Redação, de Brasília (com apoio do Instituto ClimaInfo) —
Com o conflito em andamento no Oriente Médio provocando a segunda grande crise energética em cinco anos, duas novas análises divulgadas hoje (12 de maio) mostram uma mudança importante na percepção sobre energia limpa entre investidores globais, segundo mostra o Instituto ClimaInfo.
Um novo briefing da Zero Carbon Analytics revela que aconteceu uma mudança desde a invasão do Irã: os fundos negociados em bolsa (ETFs) de energia limpa agora estão superando os ETFs tradicionais de energia, influenciados pelos impactos sobre os mercados globais de energia desde o início da guerra.
Além disso, uma nova pesquisa global com investidores da Climate Opinion Research Exchange (CORE) mostra que o conflito com o Irã levou a um aumento na porcentagem de investidores que classificam as renováveis como o principal setor para retornos em um horizonte de um ano — de 9% em março de 2025 para 14% em março de 2026, especialmente na Europa e na Ásia.
Além disso, 82% dos investidores esperam aumentar os investimentos em renováveis nos próximos três anos, demonstrando um apetite sustentado pelo setor em meio às discussões em andamento sobre a necessidade de diversificar a produção de petróleo e gás.
Desde o início da guerra, diversos países fizeram anúncios relacionados à energia limpa para acelerar projetos renováveis, enviando novos sinais aos investidores sobre a direção das políticas públicas que devem criar oportunidades de investimento em todo o mundo – há dados do Brasil.
Uma pesquisa recente com centenas de autoridades governamentais de países em desenvolvimento sobre prioridades de financiamento de bancos multilaterais de desenvolvimento (MDBs), conduzida pela ODI Global, também constatou que a maioria dos representantes governamentais favorece investimentos em renováveis quando o tema é apoiar o desenvolvimento energético. Quando questionados sobre em qual tipo de energia prefeririam investir, 79% citaram energia solar fotovoltaica, 54% usinas hidrelétricas e 47% energia eólica. Em contraste, 3% favoreceram investimentos em carvão e petróleo e 13% em usinas movidas a gás.