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Abiove não acredita em aumento da mistura de biodiesel ao diesel ainda em 2026

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar, afirmou nesta quarta-feira, 8, que acredita que a elevação da mistura do biodiesel ao diesel de 15% para 17% não deve se concretizar em 2026. Para ele, apenas os testes de qualidade e viabilidade da elevação podem ser finalizados até o final do ano.

“Eu acho que as chances de termos o aumento ainda em 2026 são baixas, mas o nosso objetivo é ter os testes feitos ainda este ano, em cerca de cinco meses. Essas eu considero elevadas. Porque isso é uma questão técnica, não é uma questão política. Não há razão para não fazer”, afirmou durante cerimônias de lançamento da Aliança Biodiesel, em Brasília (DF).

Nassar também disse que, para que os testes se iniciem, será necessário que a Aliança ajude financeiramente o governo federal a firmar contratos com os laboratórios privados.

“O governo precisa fazer um convênio para pagar os laboratórios. Provavelmente, não tem todo o recurso, aí nós vamos, provavelmente, ter que ajudar e doar financeiramente recursos e estamos dispostos a isso, com o devido controle e aplicação”, afirmou.

Os testes avaliam parâmetros como desempenho em motores, estabilidade da mistura e impactos logísticos, com o objetivo de garantir a qualidade do combustível. A análise busca garantir que a elevação do teor não comprometa o funcionamento da frota nem a qualidade do combustível ofertado ao consumidor.

O aumento da mistura de biodiesel está determinado na Lei do Combustível do Futuro, que estabelece um cronograma de elevação gradual do teor de biocombustíveis, condicionado à comprovação técnica de viabilidade.

A implementação do novo porcentual ainda depende de deliberação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que avalia aspectos como oferta do produto, impactos sobre preços e segurança do abastecimento.

A elevação da mistura tende a ampliar a demanda por biodiesel, com reflexos diretos sobre cadeias como a da soja e de outras oleaginosas.

Abiove e Aprobio se unem na defesa do biodiesel

A Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) lançaram nesta quarta-feira, 8, a Aliança Biodiesel. A iniciativa é voltada ao fortalecimento do setor e à ampliação da presença do produto brasileiro no mercado internacional.

A iniciativa busca ampliar a articulação institucional do setor junto ao governo federal, ao Congresso Nacional, incluindo a Frente Parlamentar Mista do Biodiesel (FPBio), e ao mercado consumidor. A proposta é garantir maior representatividade e alinhamento em pautas consideradas estratégicas.

Segundo o presidente-executivo da Abiove, André Nassar, e o presidente da Aprobio, Jerônimo Goergen, a aliança pretende organizar a atuação dos agentes do setor de forma coordenada, com foco em previsibilidade regulatória e maior aproximação com clientes e consumidores.

Entre as pautas, está a defesa do aumento da mistura de biodiesel no diesel comum de 15% para 17%. O aumento é determinado pela Lei do Combustível do Futuro, mas depende do andamento de estudas de qualidade para sair do papel.

A Aliança espera que os estudos sejam realizados ainda em 2026, para que a mudança vire realidade em 2027.

A qualidade do biodiesel foi apontada como um dos pilares centrais da atuação conjunta, em meio às discussões sobre a elevação da mistura obrigatória do biocombustível ao diesel no País.

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