Ao que tudo indica, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, não vai se desincompatibilizar para se candidatar a algum cargo público. Segundo se anuncia, deverá permanecer na função de ministro de Minas e Energia até o final do atual Governo.
Qualquer que seja a razão que levou Silveira a desistir da eleição e ficar à frente do MME, é um gesto que não chega a surpreender (este mesmo site levantou a hipótese há vários meses). De todo modo, não é um gesto muito visto em Brasília, cidade onde impera o fisiologismo e o oportunismo da classe política.
Sob esse aspecto, o da lealdade a Lula, é preciso reconhecer que ficar no Governo é um gesto nobre da parte do ministro. Este site desceu a marreta no ministro durante toda a gestão, mas é o primeiro a reconhecer que o gesto é incomum. Em Brasília, num final de mandato, o mundo político vai procurando um jeito de sobreviver e busca alternativas de futuro.
O ministro preferiu ir até o final do mandato de Lula (pensa obviamente em alguma compensação futura, se Lula for reeleito), mas em Brasília a atitude-padrão é tentar alguma coisa no Legislativo. Silveira descartou a chance de se eleger para a Câmara dos Deputados, o Senado Federal ou até mesmo o Governo mineiro, embora essa opção seja dificilima devido à força do candidato Cleitinho nas pesquisas.
Silveira, por exemplo, teria uma eleição garantida para deputado federal em Minas Gerais, no mínimo. Optou por apostar na reeleição do atual presidente, quando a eleição, ao que tudo indica, será duríssima e a recondução de Lula, se acontecer, será apertada. A vitória do candidato do PT não é considerada líquida e certa, mostram hoje diversas pesquisas.
É sabido que, embora fosse uma espécie de patinho feio no início da atual gestão, sofrendo horrores pelo fato de não ser do PT, o ministro foi aos poucos aprendendo a lidar com seus aliados políticos e acabou se tornando não apenas um reconhecido amigo do presidente da República, como também um dos seus ministros de absoluta confiança.
No mundo partidário, Silveira, que é do PSD, não está nem aí para o candidato do seu partido à Presidência da República, Ronaldo Caiado, anunciado oficialmente nesta segunda-feira, dia 30 de março. Seu voto, sem remorso, vai para Lula e estamos conversados.
Hoje, Silveira é reconhecido como mais petista do que qualquer outro petista, embora seja oficialmente do PSD. Coisas da política, difíceis de serem entendidas pelo cidadão comum e até mesmo pelos jornalistas, mas que eles, os políticos, sabem traduzir com facilidade.
Como o ministro deve continuar no cargo, não é a hora de fazer um balanço da sua gestão, que é polêmica. Muita política, muito marketing e muita questão técnica que deixou de ser resolvida e foi apenas empurrada para a frente. Enfim, nada diferente do que faz o resto do Governo.
Quando as urnas forem abertas, no final da eleição, Alexandre Silveira saberá se tomou ou não a decisão política correta. Se ficará junto de Lula, no Palácio do Planalto, em novo cargo de ministro da área política, ou se ficará no sereno, sem cargo no Legislativo, amargando não ter mais um tapete vermelho para chamar de seu.