Um leitor (que não tinha muita educação, por sinal) entrou em contato com o “Paranoá Energia” para reclamar que o site criou injustamente a história da Aneel Tour e que vive perseguindo a Agência Nacional de Energia Elétrica.
Na visão desse leitor, o editor do site é incapaz de compreender que a agência autoriza as viagens dos seus diretores e servidores para que eles possam se aperfeiçoar no exterior e, aprendendo alguma coisa, possam aplicar os conhecimentos aqui dentro, em favor da sociedade brasileira.
De fato, essa é a bela teoria da coisa e este idoso editor é capaz, sim, de entender a lógica do raciocínio. Só que no mundo real, não é exatamente assim que funciona.
Nesse contexto, qual é a razão que leva o “Paranoá Energia”, então, a pegar no pé da Aneel e praticamente criar uma coluna fixa chamada Aneel Tour?
A resposta é muito simples. Em várias oportunidades, diretores da Aneel vieram a público para reclamar que o dinheiro da agência reguladora havia acabado e que eles estavam, no sentido figurado, na base do pão e água.
Há menos de um mês, o próprio diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, segundo o site “Megawhat”, enviou um ofício ao Ministério do Planejamento, solicitando suplementação orçamentária. Ou seja, pediu mais dinheiro ao Governo Central, sob o argumento que o seu cofre estava vazio.
Ora, essa é a questão. Se a Aneel reclama que não tem dinheiro, mas manda seus diretores e servidores para o exterior (praticamente a cada semana sai uma autorização de viagem no “Diário Oficial”), na maior parte dos casos com ônus para a própria Aneel (isto é, com os custos das viagens pagos pela agência reguladora), isto só pode significar duas coisas:
- Essa história de não ter dinheiro é blá-blá-blá e a Aneel está, sim, nadando na grana; ou
- Os responsáveis pela Aneel não sabem administrar as finanças da organização e por isso pedem suplementação orçamentária.
A título de comparação, este idoso editor gostaria de dar um testemunho pessoal. Não é para ninguém ficar com pena do editor, mas o exemplo cabe.
Alguém já viu este editor viajando por aí? Interna ou externamente? Não. Ninguém viu ou vê. Por uma questão muito simples. O editor vive numa pindaíba de dar gosto. O seu pouco dinheiro é contado e a prioridade é para pagar comida, remédio, aluguel, condomínio, plano de saúde e as despesas decorrentes da existência do site (impostos, contador, suporte técnico, etc).
No final do mês, não sobra nada. Então, caros leitores, não tem viagem sequer a Alto Paraíso, Pirenópolis, Goiânia ou Uberlândia, que ficam num raio máximo de 400 km de Brasília, onde vive o idoso editor. O lugar mais distante que ele costuma ir é um shopping localizado no início da avenida W-3 Norte, a 7 km da sua casa. Como é idoso, vai e volta de ônibus, de graça.
Por consequência, não tem essa de viagem ao exterior, como faz o pessoal da Aneel, que viaja com as despesas cobertas pelo poder público. Assim é fácil, não é Aneel?
Esta é a vida. Cada um vive de acordo com os seus recursos. E se o diretor Sandoval diz que a Aneel não tem dinheiro, este site gostaria apenas de saber qual é a razão que o leva, quase todo dia, a autorizar algum colega da diretoria ou servidor a viajar ao exterior, com as despesas pagas pelo caixa da própria agência.
O editor acredita que está explicado porque, então, existe essa brincadeirinha jornalística chamada Aneel Tour. Apenas para mostrar que há uma enorme incoerência em algumas coisas que a Aneel diz e faz.
No mais, este editor garante que tem enorme admiração pela Aneel, que conhece bem desde o seu primeiro dia de existência. Mas, o fato de gostar da Aneel não significa que não possa escrever sobre as derrapadas que a agência dá de vez em quando.