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Copom corta Selic em 0,25 ponto porcentual e mercado diz que guerra influencia

O conflito no Oriente Médio intensificou tanto os riscos de alta quanto de baixa para a inflação, que já se encontravam mais elevados do que o usual, avaliou o Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira, 18.

A avaliação consta no comunicado da reunião de março. No encontro, o colegiado decidiu cortar a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 15% para 14,75% ao ano.

No documento, o colegiado manteve os mesmos destaques no balanço de riscos que já havia feito em reuniões anteriores.

Entre os riscos de alta para o cenário, ressaltou uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; uma maior resiliência na inflação e de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e uma conjunção de política econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.

Entre os riscos de baixa, o Copom destacou uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

Visão do Bradesco

O Bradesco afirma, em relatório a clientes, que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) evidenciou em comunicado desta quarta-feira, 18, que novos cortes na taxa Selic – hoje reduzida para 14,75% ao ano – estão no horizonte e que os juros seguirão em patamar restritivo.

Já a aceleração, ou não, para cortes de 0,5 ponto porcentual por reunião dependerá da evolução do cenário no Oriente Médio e seus impactos para o Brasil, acrescenta.

O Bradesco enfatiza que a projeção de inflação no horizonte relevante (terceiro trimestre de 2027) do BC subiu marginalmente, de 3,2% para 3,3%, refletindo a elevação do preço do petróleo com o conflito no Oriente Médio.

Ainda assim, a estimativa “exibe certa confiança de que os efeitos inflacionários, por ora, não se propagarão para o horizonte relevante, possivelmente diante da desaceleração da economia que enxergam”.

O banco nota, ainda, que o comitê parece ter preferido transferir a incerteza dos conflitos geopolíticos para o balanço de riscos, ao invés do cenário central.

“Assim, o inicio do ciclo de calibração de juros foi possível por conta do aumento de evidências de transmissão da política monetária sobre a atividade econômica”, observa.

Segundo o Bradesco, a projeção é de que a taxa Selic encerre 2026 em 12,00% ao ano.

Visão do Itaú

O Itaú Unibanco diz ter a percepção de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) está inclinado a acelerar o ritmo de cortes na taxa Selic em abril. “Em termos gerais, avaliamos que o comitê provavelmente se sentirá confortável para reduzir a taxa Selic em 50 p.b.”, diz nota assinada pelo economista-chefe, Mario Mesquita.

O Copom reduziu a Selic em 25 pontos-base na reunião desta quarta-feira, 18, levando a taxa para 14,75% ao ano e em linha com a estimativa do Itaú. No comunicado, o “comitê destaca a desaceleração da atividade econômica, evidenciando os efeitos das decisões de política adotadas no passado”.

Adicionalmente, o BC projeta inflação de 3,3% no horizonte relevante, o terceiro trimestre de 2027, “ao mesmo tempo em que reconhecem – corretamente – que a incerteza em torno do cenário central está mais intensa do que o usual”, afirma o Itaú.

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