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Como ninguém toma iniciativas, mercado elétrico patina em meio à mediocridade

Maurício Corrêa, de Brasília —

O mercado elétrico anda totalmente pessimista com a apatia das autoridades do SEB (MME, Aneel, ONS e CCEE) diante das perspectivas no curto prazo. A EPE não conta, pois, a rigor nem deveria existir.

Uma fonte lembrou que o mercado amarga a quebra de cinco comercializadoras de um ano para cá: 2W, Gold, América, Máxima e Elétron, sem contar uma sexta, a BID, que busca entendimentos bilaterais com seus credores e diminuiu as operações, tentando desesperadamente sair do sufoco.

Foi lembrado a este site que as comercializadoras, de modo geral, “não resistem a uma mudança mais radical no PLD”. Ou seja, aquelas que não têm bala na agulha vão pro sal. A tendência é que fiquem no mercado apenas as grandes comercializadoras, ligadas aos bancos ou então que façam parte de conglomerados do setor elétrico. Nesse contexto, o mercado elétrico brasileiro teria pouquíssimo espaço para as chamadas comercializadoras independentes. Prevê-se um senhor enxugamento nessa área.

Em alguns segmentos, há enorme preocupação com as próximas semanas, com o que poderá acontecer com algumas comercializadoras, na medida em que as condições dos reservatórios das hidrelétricas fiquem mais críticas. Tem gente que nem dorme, seja porque está numa posição comprada, como numa posição vendida.

Quem comprou não tem a mínima certeza se conseguirá pagar, caso o PLD dispare nos próximos dias. Em outras palavras, também vai quebrar. E quem vendeu também não dorme, pois não sabe se vai receber algum dinheiro pela sua energiazinha, se o eventual comprador abrir o bico.

Aparentemente, a chuva está dando trégua e está chovendo em alguns lugares, afastando o perigo imediato. Mas o Sudeste está apenas no início de fevereiro, ou seja, ainda é praticamente o início do período úmido. E o SEB já está nessa discussão. É possível imaginar o que estará sendo falado dentro de 5 meses.

Uma discussão que vem sendo travada no SEB diz respeito aos preços computacionais da energia elétrica calculados pelo ONS/CCEE. Tem muita gente que entende que os preços estão completamente doidos, calibrados de forma errada, o que tem provocado as confusões comerciais no mercado.

É uma história antiga, que se repete a cada ano e ninguém faz absolutamente nada, pois todos são cúmplices na adoção dos preços computadorizados na formação de preços.

Por exemplo: a Aneel decreta a bandeira verde e ao mesmo tempo o ONS fixa o CMO no valor máximo de R$ 4.870,00. Durma-se com uma incoerência desta. Alguém com certeza está errado, mas todo mundo está na moita.

Este site não sabe o que vai acontecer, pois aqui não tem adivinho. Só pode refletir as conversas que ouve de agentes e elas não são as mais agradáveis. E uma das coisas que o mercado já ensinou é que não existem fórmulas mágicas e que o mercado não inventa. Se a coisa não está boa, é porque não está boa.

E quando se olha para a área institucional do mercado elétrico, o pessimismo se acentua. A Aneel, coitada, não consegue administrar nem uma distribuidora que praticamente todos os dias oferece uma escuridão de primeira qualidade na principal cidade do País. Na visão deste site, não seria má ideia refundar a Aneel,, pois a agência aparentemente está sem rumo.

Aliás essa sugestão vale para toda a área institucional do setor elétrico brasileiro, pois todas as áreas experimentam situações similares que passam pela mediocridade e puxa-saquismo nos altos comandos de cada setor.

Embora conte com um quadro técnico que ainda mantém a respeitabilidade, a direção do ONS morre de medo de contrariar o ministro Alexandre Silveira em alguma coisa, por menos que seja. Então, dessa cartola não deve sair um coelho. A CCEE tem um status parecido. Na sua direção, conta com gente despreparada para a função e que só foi indicada pelas conveniências paroquiais do titular do MME.

Agora, por exemplo, o MME trocou o secretário-executivo. Saiu um advogado que era tecnicamente um zero à esquerda, em termos de energia elétrica, e entrou um engenheiro que fez carreira na área de transição energética. Ora, como todo mundo sabe, isso é uma peça de ficção, pois se o setor elétrico tem 100 prioridades a transição energética certamente não é uma delas. O que existe é marketing.

Enquanto isso, Sua Excelência está nas nuvens, preparando o seu futuro político em Minas Gerais. E cada um faz o que quer no MME, pois não tem planejamento estratégico que resista a tanta falta de comando e liderança.

E as empresas, que carregam o SEB nas costas, ficam por aí, meio perdidas e sem saber o que fazer. Investe? Desinveste? Compra? Vende? Sai do Brasil? Demite empregados? E o curtailment? E as garantias do mercado livre? Ninguém sabe o que fazer, pois o SEB infelizmente é uma pálida cópia do que já foi. É por isso que tem tanta nulidade institucional mandando nele.

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