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Silveira está na Arábia Saudita, mas de olho em Brasília

Depois de uns dias totalmente desaparecido do mundo político, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reapareceu discretamente na Arábia Saudita, nesta segunda-feira, 12 de janeiro, tratando de questões de mineração vinculadas ao MME.

É possível que nestes dias de sumiço, compreendendo o Natal, o Ano Novo e este início de janeiro, o ministro tenha procurado um relaxamento. Este editor já foi assessor de ministro e sabe muito bem que um ministério, qualquer um deles, equivale a uma máquina de moer carne. No final de um exercício, qualquer ministro está com meio metro de língua para fora. O que Silveira fez foi o necessário: sair um pouco para restaurar as energias pessoais.

Este site às vezes gosta de dar umas cutucadas no ministro Silveira, mas não é nada pessoal. Ocorre que este idoso editor não nutre muita simpatia por políticos e Silveira tem talvez o azar de ser um deles.

Para o editor, deveria existir um item na Constituição proibindo o presidente da República de plantão de indicar políticos para uma Pasta de natureza técnica como o Ministério de Minas e Energia.

De qualquer forma, sendo político ou não Silveira mereceu descansar. E agora já está de volta, com as baterias recarregadas, pois precisará de muita serenidade para tomar uma decisão crucial que atinge todos os políticos: o que fazer frente ao prazo de desincompatibilização?

Vivendo há quase 50 anos em Brasília e tendo convivido bastante com políticos, o editor sabe que à medida que vai chegando ao fim o prazo para desincompatibilização, os políticos piram, pois é uma decisão difícil de ser tomada. A pressão arterial sobe, a respiração fica ofegante, o sono fica cada vez mais curto, o cidadão engorda. Enfim, é uma pressão emocional gigantesca, um estresse que não tem tamanho, sendo necessário um cuidado especial com o infarto ou o AVC, pois tomar decisões no campo político não é fácil.

Sobre Silveira, por exemplo, dizem que uma das hipóteses é ir até o final do Governo atual, sem se desincompatibilizar. Neste caso, o ministro acreditaria totalmente na reeleição do presidente Lula e ficaria torcendo para que, reeleito, Lula reconhecesse a sua lealdade e dedicação e lhe desse como prêmio um segundo posto no ministério, que pode ser o próprio MME ou uma outra Pasta mais política.

Mas, nesse imenso tabuleiro de fofocas que é a Esplanada dos Ministérios, Silveira também poderia se desincompatibilizar no prazo da Justiça Eleitoral, visando uma candidatura no seu estado de origem, Minas Gerais, para governador, senador ou deputado federal, dependendo do nível das articulações partidárias.

Então, qualquer que seja o futuro político de Silveira, o fato concreto é que foi importante para ele descansar e se preparar para os próximos capítulos da guerra política.

Certamente, antes de viajar para a Arábia Saudita, o ministro articulou com o presidente Lula o despacho publicado na edição do “Diário Oficial” desta segunda-feira, atropelando e passando por cima da diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), como uma motoniveladora, por considerar insuficiente o posicionamento da agência reguladora em relação à concessionária Enel, na Grande São Paulo.

Isso mostra que as coisas vão bem entre Lula e Silveira. E, qualquer que seja o futuro imediato de Silveira, certamente terá sido bem discutido com o presidente da República.

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