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Deu zebra na contabilização do MCP em novembro

O mercado de energia elétrica iniciou 2026 estressado com a surpreendente inadimplência de R$ 354 milhões na primeira contabilização feita pela CCEE, referente às operações do Mercado de Curto Prazo no mês de novembro, sem que existissem liminares por conta do GSF.

Foram contabilizados, em números aproximados, R$ 2,83 bilhões, mas a liquidação estacionou em R$ 2,48 bilhões. Essa diferença está deixando o mercado sem dormir.

Não é para menos. Esta foi a primeira operação dos últimos 10 anos sem qualquer valor represado devido a decisões judiciais envolvendo o risco hidrológico. Eliminado esse risco do GSF, todo o mercado estava trabalhando com a ideia que de agora em diante seria tudo uma maravilha e que a liquidação empataria com a contabilização do MCP. Simples assim, mas não aconteceu.

A preocupação de muita gente no mercado é sobre o que poderia ter acontecido realmente para que ocorresse essa surpreendente inadimplência. Afinal, nos últimos comunicados mensais distribuídos pela CCEE sobre o comportamento do MCP, a Câmara foi bastante pródiga em elogios a si mesma sobre a proximidade do fim do risco do GSF e, finalmente, com a eliminação total das liminares que constituíam esse risco.

Pensando bem, o orgulho da CCEE era mais do que justo, pois, afinal, foram 10 anos de luta contra essas liminares que quase chegaram a travar a liquidação no MCP. Terminadas as liminares, havia chegado a hora da comemoração. Normal.

Com justa razão, o mercado fica agora perguntando o que foi que aconteceu, considerando que a CCEE se fechou em si mesma e o último comunicado apenas menciona o valor da inadimplência, sem dar qualquer pista sobre o que teria acontecido. Deu uma zebra. Esse silêncio da CCEE deixou o mercado grilado. Tá todo mundo preocupado. Este site mesmo tentou falar com fontes habituais na CCEE e o resultado das tentativas foi zero até a disponibilização deste editorial, no final da tarde de sábado. Logo depois, foi possível falar com o presidente do Conselho de Administração da CCEE, Alexandre Peixoto, que minimizou a questão.

Num mercado super-sensível, que gira muito dinheiro, é natural que as especulações estejam correndo soltas numa hora como agora. Um passarinho disse para este editor, por exemplo, que no mercado tem muita gente desconfiando dos preços computadorizados da energia elétrica definidos pelo ONS/CCEE. Nesse contexto, eles estariam pessimamente calibrados, gerando números absurdos que os agentes de mercado não estariam conseguindo honrar no momento da liquidação.

“Essa especulação do mercado é totalmente sem fundamento. O que ocorreu foi que havia um agente com uma inadimplência muito elevada, que era coberta por uma liminar. Como a liminar foi derrubada, esse agente ficou exposto, pois não tem condições de liquidar o que está devendo. Trata-se de um caso isolado”, argumentou Peixoto.

Este site nem vai citar, para não causar alarme, até porque é tudo mera especulação, mas o número da inadimplência que está sendo trabalhado pelo mercado, na próxima liquidação, é astronômico. Dá até vontade de sair correndo.

Executivos do próprio mercado lembraram a este editor que o Brasil está na iminência de passar por grandes transformações no mercado elétrico, com forte expansão do mercado livre, e que este é um momento profundamente desagradável para ainda estarem ocorrendo essas surpresas no MCP.

O mercado entende (e este editor assina junto) que a CCEE precisaria vir a público para explicar o que aconteceu na última liquidação do MCP. Também foi comentado que a CCEE não pode aparecer apenas nas horas das boas notícias. A Câmara precisaria abrir o jogo, para acalmar os agentes e fazer com que o mercado não entre em ebulição já na primeira quinzena de 2026.

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