Política Energética, Regulação, Setor Elétrico, Gás Natural, Energias Alternativas, Empresas e Negócios

Toda a região da Grande SP foi impactada

O município de Embu-Guaçu, que fica na região metropolitana de São Paulo e tem cerca de 67 mil habitantes, está com todos os clientes da Enel sem energia elétrica. Os dados são da própria concessionária que, por volta das 20h, somava 2,2 milhões de imóveis afetados na sua área de abrangência – 1,5 milhão apenas na capital.

De acordo com a empresa, responsável pela distribuição de energia na capital e região metropolitana, a Grande São Paulo foi atingida por fortes vendavais que comprometeram o fornecimento de energia.

Os ventos, que chegaram a uma velocidade de mais de 98 km/h em algumas partes de São Paulo, são decorrentes da passagem de um ciclone extratropical que se formou no Sul do País e avançou para a região Sudeste.

O Corpo de Bombeiros informou que recebeu 1.327 chamados para queda de árvores somando capital e Grande SP e o aeroporto de Congonhas somou 167 voos cancelados nesta quarta-feira.

Em nota, a Enel diz que há equipes da concessionárias nas ruas para fazer os reparos necessários. Questionada pela reportagem sobre a situação de Embu-Guaçu, a empresa não deu retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

Em conversa com o Estadão, o diretor de Operações da Enel São Paulo, Márcio Jardim, afirmou que o momento mais crítico foi às 18h desta quarta e disse que a companhia ainda faz balanço para dar prazo de restabelecimento da energia.

Nas redes sociais, a prefeitura de Embu-Guaçu informou que seis Unidades Básicas de Saúde (UBS) tiveram que interromper o serviço de vacinação por conta “dos fortes ventos e chuvas” que atingiram a cidade. O serviço poderá ser normalizado na quinta-feira, 11, informou a administração.

A reportagem buscou contato com a prefeitura para saber se outros serviços foram afetados, mas também não obteve retorno.

Além de Embu-Guaçu, outras cidades abastecidas pela Enel também apresentaram alto porcentual de clientes com o serviço de energia interrompido. São os casos de Cotia (70.686 imóveis, o que representa 49,9% do total na cidade); Itapecerica da Serra (34.743 ou 51,07%), Juquitiba (11.023 ou 61,6%) e Pirapora Do Bom Jesus (5.876 ou 69,88 %).

As cidades de São Caetano do Sul e Taboão da Serra também estavam com uma grande quantidade de clientes afetados. Em São Caetano, 35,9 mil imóveis (41,67% do total) estavam com o serviço interrompido. Em Taboão da Serra, o total de afetados era, até 20h, 53.316 clientes, o que corresponde a 42% do total de 126.812 imóveis.

Aeroporto deixa de operar

Passageiros do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, lotaram a área de check-in e o saguão do terminal na noite de quarta-feira, 10, após 167 voos serem cancelados por causa da ventania que atinge a capital. Reflexo de um ciclone extratropical que passa pela Região Sul do País, o vento atingiu a velocidade de 98 quilômetros por hora.

As longas filas de passageiros que esperam o voucher de hospedagem ou remarcação de voos ocupa toda a extensão do andar térreo do aeroporto, desembocando e dando a volta na área de alimentação.

Muitos aguardam desde a manhã ou início da tarde para embarcar, e reclamam da falta de comunicação clara e assistência das companhias, com expressão cansada.

A funcionária pública Márcia Aguiar saiu de Brasília em um voo da Gol, em um grupo com quatro colegas, e enfrentou atrasos sucessivos até ser informada do cancelamento.

“A gente entende o mau tempo, o que não dá pra aceitar é não ter informação, suporte nenhum da companhia, é esse descaso”, disse ao Estadão. Procurada, a Gol ainda não se manifestou.

Heloisa Fernandes, que partiria em um voo da Azul para Belo Horizonte por volta das 15 horas ressaltou não ter sido notificada a companhia sobre o cancelamento, depois de atrasos seguidos. Procurada pela reportagem, a companhia não se manifestou.

“Estou na fila desde as 17h da tarde, quando vim até aqui (a área com os painéis) e soube que meu voo não ia mais sair. Não sei se tem voo amanhã, deram uma lista de restaurantes onde podemos comer, mas não posso sair da fila”, conta.

Uma funcionária da companhia comunicou aos passageiros na fila que não havia mais vaga em hotéis e que haveria um ônibus com destino ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio, para aqueles que optassem por viajar desta forma. Passageiros com destino a outras cidades foram orientados a permanecer na fila.

No atendimento da Gol, por volta das 20h15, a confusão era maior, com passageiros gritando e cobrando resolução. Alguns chegaram a bater palma pedindo “lanche”, já que a companhia não havia liberado alimentação aos passageiros.

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