Ninguém pode negar que a ministra do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, Marina Silva, tem uma história pessoal de muita dignidade. Pode-se não gostar dela, mas não se pode negar a sua conduta, como política.
Ela construiu uma biografia como poucos, desde que se lançou na vida pública, elegendo-se vereadora, em Rio Branco, no Acre, em 1988. Receber 22 milhões de votos como candidata à Presidência da República, em 2014, foi a sua consagração, sucesso que não conseguiu mais repetir. Na área de energia, Marina gera muita controvérsia.
O site “Paranoá Energia” abre uma janela no noticiário dedicado à energia, para incluir e comentar rapidamente o papel da ministra do Meio Ambiente e Mudanças do Clima.
Afinal, estamos a praticamente um mês da COP 30, em Belém, e aparentemente a ministra está fazendo muito contorcionismo político, pois eventualmente toma bola nas costas de seus colegas do Governo.
Marina Silva é um dos mais extraordinários exemplos que existem na enorme constelação de contradições do PT no Poder.
Na sua ginástica para permanecer à frente da Pasta, a mesma ministra que trabalha fortemente para evitar a construção de usinas hidrelétricas dotadas de reservatórios (algo que tecnicamente é muito relevante para o setor elétrico), teve que engolir um sapo gigantesco na forma da pesquisa de petróleo e gás na chamada Margem Equatorial na foz do rio Amazonas.
Qualquer estudante de 2º Grau sabe que atrás da pesquisa virá a exploração, pois a região é promissora em óleo e gás. Faz parte da estrutura geológica da região.
Agora, a ministra certamente leva outra bola nas costas com a importação, pela Petrobras, de gás natural não convencional produzido nos campos de Vaca Muerta, na Argentina.
Na linguagem técnica, “gás natural não convencional” significa isso mesmo que muitos leitores devem ter pensado. É gás natural originário do chamado fraturamento hidráulico ou “fracking”.
O site não vai entrar aqui no mérito se é contra ou a favor do “fracking”, pois não é a discussão neste momento. O que importa, na visão do site, é que existem muitos xiitas no Ministério do Meio Ambiente que ficam arrepiados só de ouvir a palavra “fracking”, pois consideram essa técnica de extração de óleo e gás prejudicial à natureza.
Se a Petrobras está trazendo gás de “fracking” da Argentina, para o site está claro que demonizar o “fracking” aqui no Brasil é fundamental dentro dessa visão mais radical de alguns ambientalistas de alguma forma vinculados à ministra. Mas trazer o gás de “fracking” da Argentina, sob a chancela da nossa mais importante estatal, não tem nada demais. Ou seja, o “fracking” da Argentina é bem-vindo, é um problema ambiental dos hermanos, nada a ver com o Brasil.
Lembra um pouco a hipocrisia ambiental praticada pela Alemanha. Desativou — e faz propaganda disso — a sua enorme geração de energia produzida em 17 centrais nucleares espalhadas pelo País. Uma estratégia polêmica e complexa. Mas, na cara de pau, compra energia elétrica gerada por centrais nucleares francesas ou então energia elétrica gerada por termelétricas a carvão da República Tcheca ou então da Polônia.
Voltando ao Brasil. Enfim, são contradições que o Partido dos Trabalhadores enfrenta enquanto Poder. Uma coisa é o discurso universitário, outra coisa consiste nas duras condições oferecidas pela política e pela economia, que muitas vezes contrariam as convicções pessoais.
A ministra Marina Silva parece viver essas dúvidas existenciais todos os dias.