A renovação da concessão da distribuidora Enel, que atua na região metropolitana de São Paulo, atendendo a Capital do Estado e mais 23 municípios, se transformou num caso político, sem qualquer dúvida.
O governador do Estado, Tarcísio de Freitas, e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, são totalmente contrários à renovação, enquanto as autoridades federais, ao que tudo indica, defendem a permanência da empresa italiana na concessão.
Essa disputa vem desde antes da última eleição. Tarcísio ainda não era governador, mas já dava as suas cutucadas na Enel, como candidato. E Ricardo Nunes, sim, já era prefeito e assumiu uma atitude frontalmente contra a Enel, que era apoiada pelo seu opositor, Guilherme Boulos.
É uma briga de cachorro grande, que ainda vai render, pois quem tem a caneta é o pessoal de Brasília.
O editor deste site já escreveu e repete aqui: não se envolve nessa briga política, pois não dá o seu apoio a nenhum dos dois grupos. O pano de fundo dessa disputa é a eleição de 2026, quando Tarcísio se projeta como candidato a presidente da República e Nunes tem sido apontado como candidato a governador do Estado de São Paulo, no lugar de Tarcísio.
Mas se alguém está interessado em saber o que o editor pensa, ele também não esconde a sua opinião. É contra a renovação dessa concessão, pois a Enel simplesmente não a merece.
O serviço da concessionária não é confiável e, em 30 anos de cobertura do setor elétrico, este editor nunca viu tanta gentileza e paciência da Aneel com uma distribuidora de energia elétrica. Por muito menos do que faz a Enel em São Paulo, a Aneel já entrou quente em cima de outras concessionárias de distribuição.
A Aneel aplicou algumas multas à Enel, que não pagou a maioria delas e judicializou os casos. E a agência reguladora pratica um silêncio ensurdecedor a respeito desse assunto, embora a Aneel adore meter a colher de pau em tudo quanto é assunto do setor elétrico.
O Ministério de Minas e Energia acompanha a Aneel. O ministro Alexandre Silveira, que em um momento até deu uma espécie de sinal verde à agência para abrir uma investigação e se necessário até cassar a concessão da empresa italiana, mergulhou no silêncio total sobre o assunto e até se tornou amigo dos italianos, depois de uma estranha reunião na Itália que teve até mesmo a presença do presidente Lula, que não tinha que se meter nessa questão técnica.
É uma concessão prá lá de estranha e que, faltando um pouco mais de um ano para a eleição, seguramente está se transformando em algo que vai contribuir para incendiar a campanha na região metropolitana de São Paulo.