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SEB com cheiro de boi gordo

O editor do site “Paranoá Energia” tem conversado com especialistas que entendem de setor elétrico brasileiro e a percepção que se tem, nos bastidores, é que o SEB está com cheiro de boi gordo ou avestruz.

Para quem não sabe do que se trata, vale lembrar: em outra encarnação, investidores foram convidados para colocar o seu dinheirinho em fazendas de criação de boi para abate ou então em fazendas de criação de avestruzes.

De repente, graças à propaganda maciça, o boi para engorda e a avestruz passaram a ser os melhores investimentos do planeta. Muita gente caiu nessa conversa. Alguns venderam patrimônio para aplicar no boi gordo e na avestruz, até que um dia a casa caiu e muita gente ficou no prejuízo.

Acredita-se que algo semelhante esteja acontecendo no setor elétrico brasileiro, particularmente em projetos mirabolantes envolvendo a geração eólica e solar. Quando os espertalhões de sempre perceberam que as faturas do SEB possuíam muitos zeros e que os controles eram ridículos, não deu outra coisa. Migraram de golpes no setor financeiro para golpes no setor elétrico.

Para especialistas ouvidos pelo site, recentes episódios envolvendo duas empresas de energia renovável e dois fundos de investimentos constituem apenas a ponta do iceberg e muita coisa complicada ainda pode vir por aí.

No setor elétrico, todo mundo conversa com todo mundo e as histórias vão surgindo em pedaços. Uma informação aqui, outra ali, e as pessoas vão construindo um painel de problemas que, por enquanto, ainda é camuflado pelos prejuízos causados pelas restrições operativas aplicadas pelo ONS, o chamado “curtailment”. Como não podem escoar a energia, muitas geradoras eólicas e solares são proibidas pelo Operador de jogar energia no mercado. Então, o prejuízo é inevitável. São milhões de reais de prejuízo, por enquanto, numa história em que sobram acusações.

Os empreendedores culpam o Governo, o Governo culpa os empreendedores. E aquele cidadão que apenas queria ganhar um dinheirinho acreditando no potencial de investimento do setor elétrico brasileiro, fica no sal. É muito difícil ser apenas investidor num País como o Brasil, onde a especulação come solta, sobram espertalhões e os mecanismos de controle são estupidamente frágeis e não conseguem proteger ninguém. Sem contar a Justiça, bem, essa é apenas para quem tem condições de contratar bons (e caros) advogados.

O fato é que muita gente acredita que, além do “curtailment”, outras histórias de horror deverão emergir, no médio prazo, pois os bancos, que colocaram dinheiro dos seus aplicadores em muitas maracutaias, têm a obrigação legal, junto ao Banco Central, de escriturar os seus créditos indicados como de difícil recebimento. E aí não dá mais para esconder as inadimplências.

Então, caro leitor, que fique bem claro. Quando você ler em algum lugar sobre o entusiasmo de certas autoridades com a transição energética, fique bem atento. Não é exatamente assim. Tem muita confusão por aí, que ainda não apareceu porque as coisas estão queimando no fogo brando. Em algum momento, deverão emergir, causando mais dificuldades aos mercados financeiro e de energia elétrica.

O site “Paranoá Energia” não torce por isso, mas acredita que este, infelizmente, é o cenário mais previsível.

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