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Para Copom, inflação fica acima da meta

O Comitê de Política Monetária (Copom) reitera, na ata da sua última reunião, que as expectativas de inflação continuam acima da meta em todos os horizontes, o que mantém o cenário adverso. No documento, publicado nesta terça-feira, 5, o colegiado reforçou o compromisso com a ancoragem dessas expectativas.

“A desancoragem das expectativas de inflação é um fator de desconforto comum a todos os membros do Comitê e deve ser combatida”, diz a ata do Copom, que no último dia 30 manteve a taxa Selic em 15% ao ano. “Foi ressaltado que ambientes com expectativas desancoradas aumentam o custo de desinflação em termos de atividade.”

O colegiado reconheceu uma queda nas expectativas de inflação para horizontes mais curtos. No entanto, destacou que não houve mudanças relevantes nas projeções para prazos mais longos, ainda que as medidas de inflação implícita tenham caído.

“Na discussão sobre esse tema, a principal conclusão obtida e compartilhada por todos os membros do Comitê foi de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, diz a ata.

Falando sobre os dados correntes, o comitê destacou que a inflação vem surpreendendo para baixo, mas continua acima da meta. Os bens industrializados têm arrefecido, e os preços de alimentos mostram uma dinâmica mais fraca que o esperado, diz o colegiado. Mas a inflação de serviços continua acima de um nível compatível com a meta, diante do hiato do produto positivo.

“Para além das variações dos itens, ou mesmo das oscilações de curto prazo, os núcleos de inflação têm se mantido acima do valor compatível com o atingimento da meta há meses, corroborando a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista por um período bastante prolongado”, afirma o Copom.

Cenário externo mais adverso e incerto

Os impactos agregados das tarifas para produtos importados do Brasil pelos Estados Unidos sobre a economia doméstica dependem de negociação e percepção de risco, de acordo com a ata divulgada nesta terça-feira, 05, da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada na semana passada.

O documento do encontro de julho traz um longo parágrafo (de número 6) sobre o tarifaço e suas possíveis consequências. No de junho, não havia uma citação explícita à decisão do presidente americano, Donald Trump. Foi em 9 de julho que os EUA decidiram aplicar, além dos 10% de alíquota recíproca, uma taxa maior para o Brasil, de 40%. Enquanto os membros se reuniam no Copom, os EUA informavam que quase 694 produtos estariam sem esse acréscimo.

De acordo com a ata, o cenário externo está mais adverso e incerto do que antes. “Se, de um lado, a aprovação de alguns acordos comerciais, assim como os dados recentes de inflação e atividade da economia norte-americana poderiam sugerir uma situação de redução da incerteza global, de outro, a política fiscal e, em particular para o Brasil, a política comercial norte-americanas tornam o cenário mais incerto e mais adverso”, considerou o colegiado.

Para a cúpula do BC, a elevação por parte dos Estados Unidos das tarifas comerciais para o Brasil tem impactos setoriais relevantes e impactos agregados ainda incertos a depender de como se encaminharão os próximos passos da negociação e a percepção de risco inerente ao processo. “O Comitê acompanha com atenção os possíveis impactos sobre a economia real e sobre os ativos financeiros. A avaliação predominante no Comitê é de que há maior incerteza no cenário externo e, consequentemente, o Copom deve preservar uma postura de cautela”, trouxe o documento

Como usual, o Comitê informa que focará nos mecanismos de transmissão da conjuntura externa sobre a dinâmica de inflação interna e seu impacto sobre o cenário prospectivo.

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