O editor deste site, devido à idade, não precisa mais votar. No entanto, faz questão de, no dia da eleição, comparecer à seção eleitoral para registrar a sua indignação com os nomes que polarizam a política nacional. Não vota em nenhum dos dois, pois considera que, por uma série de razões, não são merecedores do seu voto. É um critério pessoal, com o qual ninguém precisa concordar.
Isso não o impede, obviamente, de às vezes, como hoje, fazer algumas avaliações sobre a política energética atual que, inevitavelmente, acabam desaguando na política partidária.
Por exemplo: o editor do site “Paranoá Energia” não tem qualquer dúvida que o Ministério de Minas e Energia, hoje, é uma Pasta totalmente engajada no esforço de reeleição do presidente Lula. Não deveria, mas o MME tem colocado todo o seu peso institucional claramente a serviço da reeleição.
O site não fará aqui um histórico de todas as decisões tomadas pelo ministro Alexandre Silveira, mas gostaria de colocar o foco em duas decisões recentes que levam a essa conclusão.
Uma delas, é óbvio, diz respeito à tal reforma do setor elétrico prevista pela MP 1300. O Governo, espertamente, pegou carona numa coisa boa que o mercado aguardava há vários anos, que era a abertura do mercado, e espetou um dispositivo que prevê a isenção total da tarifa para quem consumir até 80 kWh/mês e com renda per capita menor que meio salário mínimo, ampliando o grupo de famílias brasileiras beneficiadas com a isenção da tarifa de energia.
Com essa gentileza, serão beneficiadas mais de 60 milhões de pessoas. Não se pode esquecer que consumidores de energia elétrica também são eleitores. Projeto mais eleitoral do que este não existe.
O custo adicional dos subsídios destinados à ampliação da Tarifa Social será dividido entre os demais consumidores cativos do setor elétrico. Estima-se que o rateio levará a um acréscimo geral de até 3% na tarifa de energia elétrica. Gentileza com o bolso dos outros é uma tranquilidade, não é ministro Silveira?
Quem achava que o Governo já havia esgotado a sua criatividade em busca do resultado eleitoral, com o uso do MME, agora o Governo corre para anunciar que, no início de agosto, daqui uns dias, deverá lançar outra medida provisória, desta vez para regular a distribuição gratuita de botijões de gás doméstico a cada dois meses, triplicando o chamado Auxílio Gás.
Se havia alguém querendo entender o que o ministro Silveira faz no Ministério de Minas e Energia, agora já sabe. Silveira está lá apenas para viabilizar a reeleição de Lula, através de decisões populistas apresentadas ao público por meio da edição de medidas provisórias. Deveria resolver o problema do curtailment, mas se sente mais à vontade gastando a sua energia pessoal na elaboração de MPs que poderão aumentar o cacife eleitoral do presidente Lula, em 2026.
O presidente anterior também fez a mesma coisa, no campo dos combustíveis, na véspera da eleição, mas pelo menos teve o cuidado de alterar a Constituição através de voto em plenário do Congresso. Tinha ampla base congressual e foi possível dividir a responsabilidade. O presidente atual não tem toda essa base e mostra que está com pressa, embora ainda faltem 15 meses para a eleição.
Está mandando bala através de MP mesmo. O que importa é o resultado final.