Os postos de gasolina têm lojas de conveniência. São pequenas lojas, onde há de tudo um pouco: cervejas, sanduíches, barrinhas de nutrição, lanches rápidos, refrigerantes, picolés, preservativos e por aí vai.
Os governos têm ministros de conveniência. Não se sabe exatamente para que servem, mas para alguma coisa têm utilidade ao presidente que os nomeou. Normalmente, não têm densidade eleitoral e nem conhecimento técnico, mas devem servir para alguma coisa. Caso contrário, não seriam integrantes do ministério.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, no entendimento deste site, é um ministro de conveniência. Não é da área de energia, não tem conhecimento técnico (é verdade que já estando no cargo há algum tempo e não sendo burro imagina-se que deva conhecer pelo menos o jargão técnico), é de um partido que o próprio dono já disse que não é de direita, de esquerda ou de centro, ou seja, ninguém sabe que geringonça é o partido dele. O ministro, enfim, está ali claramente para fazer as várias vontades presidenciais. Mais conveniência do que isso, não existe.
Coitado do Brasil. O governo do presidente Lula oscila como o vento. Vai prá lá e prá cá, conforme apontam os resultados das pesquisas eleitorais. Como não tem um planejamento estratégico, é um governo cheio de altos e baixos, que se movimenta ao sabor das pesquisas de opinião. Silveira está localizado nos baixos, pois o seu desempenho como ministro é, infelizmente, apenas sofrível.
Este site defende uma tese, há anos, que ninguém coloca em prática. O Ministério de Minas e Energia é tão importante, que jamais deveria ser concedido a políticos. É lógico que se o ministro/a ministra for profissional da área técnica também estará sujeito a alguma atitude política. Afinal, a Esplanada dos Ministérios é um campo para a atividade política e os políticos não precisam ser criminalizados.
Mas, no MME, deveria ser diferente. Um técnico faria alguma política, mas teria condições de olhar para o todo de outra forma, com outra experiência. Não precisa cair no varejo, como parece ser o caso do atual ministro, que se perde nas filigranas e não vai a lugar nenhum. É um ministro especialista em remendos. Remenda algo aqui, algo ali, e vai costurando a sua colcha de retalhos.
Talvez não exista, no pacote dos ministérios, um que seja tão remendado quanto o de Minas e Energia. O Brasil perde muito ao ter um MME tocado desse jeito, de forma improvisada. Como se fosse uma modesta sanfona num arrasta-pé do interior. Mais do que isso, o MME é uma orquestra sinfônica, que certamente mereceria um pouco mais de carinhos dos que mandam no País, para que os violinos, violoncelos, harpas, flautas, oboés, clarinetes, fagotes, trompas ou tímpanos pudessem mostrar a beleza de cada um e impressionar pela harmonia.
Silveira não tem a menor vocação para maestro do MME. Talvez o seu conhecimento musical se limite ao “Atirei o pau no gato” e olhe lá. Por isso, a sua gestão, de 1 a 10, talvez mereça um 3, com boa vontade no máximo 4. De modo algum, ele é o melhor ministro de Minas e Energia surgido no Brasil, como exagerou uma vez o presidente Lula.
O “Paranoá Energia” já escreveu isto diversas vezes. Não tem nada contra a pessoa do ministro Silveira, mas apenas lamenta que seja uma figura fora do seu habitat natural. O ministro gosta de fazer política. Poderia ser perfeitamente um ministro de Lula, mas da área política.
E o MME ficaria disponível para quem entende da área. Contudo, para o presidente Lula, Silveira é importante ali, naquela Pasta técnica, que cuida de mineração e da energia. Deve ter alguma razão, que nós, mortais comuns, desconhecemos.
Enfim, é o Brasil, e temos que conviver com essas distorções. Como País, teríamos enorme ganhos se, em vez de alguém que está preocupado com o tapete vermelho, apenas soubesse o que está fazendo e como suas decisões vão impactar o nosso País.
O Brasil, afinal, não é um posto de gasolina.