Maurício Corrêa, de Brasília —
Três diretores da Agência Nacional de Energia Elétrica (Ludmila Lima, Fernando Mosna e o diretor-geral Sandoval Feitosa) entraram de férias, o que impede a agência reguladora de tomar decisões no nível da diretoria. No total, a agência tem cinco diretores.
Este editor não tem qualquer dúvida que, sendo trabalhadores (num nível especial, é verdade, mas de qualquer forma trabalhadores) os diretores da Aneel têm o sagrado direito de tirar férias. Inclusive no mês de julho, pois podem viajar junto com as famílias. É mais do que justo que gozem as férias nas companhias das respectivas famílias, sendo também um mês de férias escolares.
Mesmo que sejam sozinhos no mundo, os diretores têm o direito de tirar férias a cada período de 12 meses trabalhados, como qualquer empregado. Enfim, é um direito que não se contesta.
O “Paranoá Energia” também entende que melhor seria se fosse possível à Aneel compatibilizar as férias dos seus diretores com as rotinas da diretoria colegiada, de modo que suas decisões não sejam prejudicadas. Bem, esse é um problema da Aneel, não deste site.
O fato é que a simples informação sobre a impossibilidade de ter reuniões da diretoria devido às férias dos seus diretores gerou uma boa quantidade de mensagens para o editor deste site.
O setor elétrico inteiro sabe que o “Paranoá Energia” é meio esculhambado, mas seu idoso editor, que também é visto como meio senil e às vezes irresponsável, ainda não está totalmente maluco. Por isso, usou a tesoura como arma e censurou grande parte dessas mensagens, pois aqui não é a casa da Mãe Joana e não se pode escrever qualquer besteira, não, algumas até ofendendo a diretoria da Aneel. Ainda resta alguma responsabilidade no velho editor.
Apesar da censura, ele selecionou algumas opiniões do pessoal do setor elétrico sobre as férias na Aneel:
“Melhor seria os cinco diretores tirarem férias prolongadas”;
“Está tudo tão tranquilo no setor elétrico, que não vejo problema nas férias dos diretores da Aneel”;
“Esses diretores da Aneel trabalham muito. Em vez de 30 dias, deveriam tirar 90 dias de férias”;
“Que as férias dos diretores da Aneel sejam tão extensas quanto a enorme paciência das empresas do setor elétrico”;
“Pelo menos por duas semanas não serei obrigado a assistir pela internet as sonolentas reuniões da diretoria da Aneel”;
“Quem também precisa tirar com urgência férias na Aneel são os fiscais da área de distribuição. Eles estão mortos de cansaço, principalmente na área de concessão da Enel SP. Trabalham muito”.
E por aí vai. Um monte de bobagens desse tipo. No entendimento deste editor, essas manifestações bem-humoradas revelam que a Aneel não está com tanto prestígio assim, não, diante do pessoal do mercado.
Talvez esteja na hora de a agência rever a sua forma de trabalhar e de encarar de outra maneira o que acontece no setor elétrico brasileiro.