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Nissan desenvolve projeto de veículo elétrico movido a bioetanol

Maurício Corrêa, de Brasília —

A Nissan Motor Corporation apresentará em Brasília, nesta terça-feira, 13 de dezembro, um protótipo de veículo movido com a utilização de Célula de Combustível de Óxido Sólido (SOFC, na sigla em inglês), que funciona através de energia elétrica de bioetanol, com autonomia superior a 600 km. Em todo o mundo, existem apenas dois protótipos desse tipo com a marca Nissan e o objetivo da empresa japonesa é mostrá-lo aos participantes da solenidade de assinatura do programa RenovaBio, que ocorrerá no Ministério de Minas e Energia (MME).

Ricardo Abe, gerente da Área de Engenharia de Produtos da Nissan no Brasil, disse a este site que a tecnologia, ainda em caráter experimental, representa um notável avanço na motorização de veículos, considerando os impactos ao ambiente feito pelos motores a combustão. O protótipo consiste em uma van comercial produzida na Espanha, mas a tecnologia de utilização da SOFC foi totalmente desenvolvida no Japão. A Nissan, aliás, já conta em seu portólio com um veículo elétrico de grande sucesso comercial, que é o “Leaf”, com mais de 250 mil unidades comercializadas em todo o mundo.

A Nissan, segundo explicou, leva muito a sério o seu compromisso mundial para o desenvolvimento de veículos com emissões zero e novas tecnologias automotivas. Nesse sentido, a montadora aplica uma espécie de credo com quatro mandamentos, denominado “Nissan Intelligent Mobility”, que leva em consideração: 1. carros elétricos típicos, como o próprio “Leaf”; 2. veículos do tipo híbrido, que dispõem de motores a combustão, mas que servem apenas para alimentar as baterias e estas é que energizam o motor elétrico; 3. veículos movidos a célula de hidrogênio, que tecnicamente não chegam a constituir um problema, mas que contam com uma dificuldade de logística para abastecimento; 4. finalmente a tecnologia que está sendo apresentada ao Brasil, denominada “e-Bio Cell”, na qual o etanol sai do tanque e passa por um equipamento chamado de “reformador”, que funciona como uma espécie de catalisador. O hidrogênio é extraído e depois é misturado ao oxigênio. Nessa reação puramente química, a bateria é acionada e, por sua vez, dá partida ao motor.

A van é denominada E-NV200. Além do protótipo elétrico feito na Nissan Espanha, em outros países a van já existe na modalidade de motor a combustão. “O Brasil é importante na apresentação da tecnologia, pois é um país que já dispõe de uma ampla estrutura baseada no etanol como combustível”, afirmou Ricardo Abe, frisando que o tanque do veículo tem capacidade para 30 litros de etanol, o que permite uma autonomia superior a 600 km. Além disso, tem as vantagens do custo. Enquanto os carros a gasolina rodam na base de R$ 0,30 por km, o elétrico comum está em torno de R$ 0,09. O protótipo E-NV200 tem um custo por km de R$ 0,10, o que o torna, portanto, competitivo em relação aos elétricos do tipo padrão.

“O motor é limpo, altamente eficiente e funciona totalmente com etanol ou água misturada ao etanol. Suas emissões de carbono são tão limpas quanto a própria atmosfera. Além disso, é um veículo silencioso como todos os elétricos e de baixo custo de manutenção”, explicou o engenheiro Abe. Se aprovado para entrar em linha comercial, ele acredita que isso deverá ocorrer por volta de 2020.

 

 

 

 

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