Política Energética, Regulação, Setor Elétrico, Gás Natural, Energias Alternativas, Empresas e Negócios

Cepel chegou ao Dessem com apoio da Scala

Da Redação, de Brasília (com apoio do Grupo Stefanini) —

Para oferecer ao consumidor informações exatas – em tempo real – sobre o consumo de energia, as utilities precisaram investir em novas tecnologias para se adequar aos novos procedimentos de medição e leitura, regulamentados pela Resolução Normativa Aneel nº 863/19, que entra em vigor a partir de janeiro de 2021. Desde junho, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) está promovendo o desenvolvimento e implementação na Plataforma de Integração, com funcionalidade destinada à realização da coleta de dados de medição por meio da infraestrutura própria das distribuidoras.

O Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), que tem entre as suas atividades a concepção e o fornecimento de soluções tecnológicas especialmente voltadas à geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica no Brasil, tem desenvolvido e aprimorado há mais de duas décadas um modelo de otimização para o a programação diária da operação de sistemas elétricos (Dessem).

Os mais recentes aprimoramentos no modelo, especialmente com a introdução de restrições envolvendo variáveis inteiras, fez com que o Cepel fosse em busca de soluções de otimização que pudessem ser acopladas ao Dessem, de forma a viabilizar a resolução do complexo problema de otimização inteira-mista modelado pelo programa. Após avaliação de algumas alternativas, o Cepel optou pela solução da IBM denominada IBM ILOG CPLEX, cuja implementação no modelo Dessem foi suportada pela Scala, empresa do Grupo Stefanini .

O Grupo Stefanini explicou que o Dessem é um modelo de otimização para a Programação Diária da Operação (PDO) de sistemas hidrotérmicos e eólicos de energia elétrica, considerando a modelagem das restrições de unit commitment das unidades termelétricas de ciclo simples ou combinado, uma modelagem DC da rede elétrica com restrições de segurança e uma modelagem detalhada das usinas hidrelétricas em cascata.
Por meio do acoplamento do IBM ILOG CPLEX, que utiliza algoritmos para solucionar problemas matemáticos, o modelo Cepel foi capaz de resolver o problema de otimização inteiro-misto em um tempo computacional viável, permitindo que o Operador Nacional do Sistema (ONS) utilizasse a ferramenta para o despacho oficial da operação do sistema elétrico brasileiro, o que vem ocorrendo desde janeiro de 2020.

Também possibilitou à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) utilizar a ferramenta para determinação do preço horário. que entrou em vigor neste mês. Como ambos os processos são realizados diariamente pelas instituições, há a exigência de adoção de soluções com alta qualidade e um tempo computacional bastante reduzido.

A Scala, empresa especializada em Processos, Analytics e Inteligência Artificial aplicada a negócios, foi escolhida para viabilizar esse projeto por alcançar os melhores resultados nas rodadas de testes. Com a solução contratada, que analisa mais de 500 mil variáveis, o Cepel conseguiu chegar a um tempo de processamento mais rápido e à reprodutibilidade, ou seja, assegurou o mesmo resultado em todas as rodadas – uma prerrogativa para o modelo de negócios. Dessa forma, garantiu exatidão às medições, que são capazes de estipular com precisão o valor até a 13ª casa decimal.

“Foram feitas várias rodadas de testes a fim de aperfeiçoar cada vez mais os resultados oferecidos pelo CPLEX. Montamos um time de especialistas que suportou os testes de homologação na força tarefa realizada pela Cepel, CCEE e Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), para que o software atendesse todos os requisitos previamente definidos – tempo de execução e reprodutibilidade -, até que a solução ideal fosse encontrada e implementada”, destaca Cristiane de Oliveira Pinto, gerente de negócios da Scala.

A reprodutibilidade foi alcançada a partir de uma solução proposta pela CCEE, a AVX, para a execução do Dessem com o CPLEX. André Diniz, chefe do Departamento de Otimização Energética (DEA) do Cepel que acompanhou todo o processo de validação, aquisição e implementação da ferramenta, conta que o suporte técnico dado desde o início do projeto foi um diferencial para a escolha.

“Foi um longo processo até conseguirmos chegar aos resultados que desejávamos com a adoção de um solver de programação inteira-mista, devido ao elevado porte do problema resolvido pelo modelo Dessem. O Cepel desenvolveu uma estratégia de resolução do problema, que inclui técnicas avançadas de programação inteira e que, aliadas à qualidade do CPLEX e ao esforço no ajuste de parâmetros do pacote, resultou na obtenção de uma solução bastante robusta. A Scala se mostrou disposta a dar o suporte necessário nesse último aspecto para viabilizar a utilização do solver CPLEX do Dessem. Provou a competência do produto sem medir esforços, com uma equipe altamente especializada, o que foi importante no processo de adoção da solução como o solver oficial do modelo Dessem”, comenta Diniz.

Posts Relacionados